Use as redes sociais sem se desconectar do “real”



Facebook, Twitter, Tumblr, Picasa, MySpace, LinkedIn… Novas redes sociais não param de surgir e o número de usuários aumenta em proporções inimagináveis. Isso porque as novas gerações são cada vez mais conectadas e conseguem superar qualquer barreira tecnológica. É por meio dessas redes que um indivíduo entra em contato com uma infinidade de pessoas e acessa informações e entretenimentos diversos.

Comparados com usuários habitantes de outros países, os brasileiros estão muito próximos dos maiores adeptos às redes sociais, ultrapassando as médias mundiais. De acordo com o estudo “Um olhar mais atento para a mídia social no Brasil”, realizado pela ComScore , 99% dos internautas brasileiros acessam as redes sociais. O único lugar onde a porcentagem de internautas que acessam redes sociais é maior do que no Brasil são os Estados Unidos. Assim, o Brasil está em 2º lugar, com Estados Unidos em 1º (99,7%), México em 3º (98,9%), seguido de Reino Unido (97,9%) e Espanha (97,5%).

As estatísticas comprovam que as redes sociais estão definitivamente presentes no cotidiano das pessoas, portanto, sua força, influência e abrangência são indiscutíveis. Mas será que as redes sociais causam mudanças comportamentais?

Percebe-se sim uma mudança no uso que se faz da internet e na interação entre os indivíduos, seja na forma de se relacionar e de se comunicar com as pessoas ou nos comportamentos grupais, hábitos e consumo.

Relacionamentos

Nas redes sociais, a possibilidade de criar perfis leva as pessoas a deixarem de conhecer indivíduos que não compartilham com seus próprios gostos e costumes. Os “relacionamentos” de hoje limitam-se, então, a uma troca de informações entre pessoas de comunidades com interesses em comum. Ousar conhecer o diferente não é comum nas redes sociais.

Além disso, as pessoas estão cada vez mais substituindo a comunicação face a face pela online: entram na rede para conversar com amigos distantes, colegas de trabalho ou com a pessoa amada. Não é raro ver um casal de namorados, por exemplo, à mesa do restaurante, em silêncio, cada um com seu celular em mãos, postando no Foursquare onde está e como é boa a comida do local.

Percebe-se, portanto, uma valorização da troca de informações em detrimento da construção dos relacionamentos. Há, assim, uma ilusão de relacionamento, isto é, não se sabe ao certo quais são os reais sentimentos, as intenções e a personalidade de uma pessoa quando esta está “do outro lado da tela”.

Um comportamento amplamente comentado nas rodas de conversa e que merece ser estudado é a construção de um personagem na internet muito diferente do que a pessoa é na vida real. Há quem poste mensagens em seu Facebook tentando demonstrar imensa felicidade aos outros quando, na realidade, passa por uma fase difícil na vida; há profissionais que se dizem contentes em seu trabalho, mas que postam críticas severas à empresa ou ao chefe nas redes sociais.

Comunicação

A linguagem online tem características particulares: maior concisão, abreviaturas amplamente usadas, grafia baseada no som das palavras, uso de símbolos, gírias e até mesmo neologismos.

“Brincar” com o português é comum na rede, mas pode ser uma grande desvantagem se o falante não souber transitar entre os diferentes registros do idioma (formal x informal, por exemplo) e adequar a linguagem de acordo com a situação comunicativa.

Além disso, por mais que seja aceito o “ousar”, erros colossais, especialmente de ortografia, não são perdoados e acabam virando piada na rede. William Bonner, Sandy, entre outras personalidades, já foram criticados por redigirem alguma palavra errada em seus perfis no Twitter, por exemplo.

Hábitos

As redes sociais passaram a integrar a rotina de muitas pessoas. Mas há, basicamente, três tipos de “plugados”:

1. Aqueles que se organizam para cumprir todas as tarefas do dia a dia e ainda têm tempo para entrar na rede, atualizar seu status e conferir as atualizações dos outros;

2. Aqueles que praticam a procrastinação: adiam o que precisam fazer de realmente importante, para poder acessar seus perfis nas redes e mantê-los sempre atualizados;

3. Aqueles denominados viciados em internet: não conseguem passar poucas horas sem acessar a rede, postar um recado em um de seus perfis, prejudicando até mesmo seu tempo de sono ou de lazer para se conectar. Caso fiquem sem acesso à rede, sofrem imensamente da sensação de estar “fora do planeta”.

As redes sociais mudaram até mesmo o hábito de assistir à televisão Com a possibilidade de inserção de vídeos e o compartilhamento de conteúdos diversos, ficou mais prático o internauta assistir ao que quer, no momento em que desejar. Outra alteração de comportamento: os trending topics do Twitter (tópicos mais comentados na rede em dado momento do dia) são fortemente influenciados pelo programa de TV que está sendo exibido. Por exemplo, no momento em que passa a novela, inúmeros usuários comentam alguma cena ou figurino de personagens mais populares. Portanto, assistir programas televisivos, nos dias de hoje, está intimamente relacionado à internet e, em especial, às redes sociais.

Consumo

O consumo está totalmente integrado à vida das pessoas, afinal, a todo instante somos bombardeados por propagandas e anúncios, principalmente na rede. Facebook e Twitter lucram muito por divulgar anúncios de diversas empresas, as quais compram um pequeno espaço para anunciar seus produtos para um número expressivo de internautas.

Isso se deve ao fato de os anunciantes terem percebido que os internautas estão passando cada vez mais tempo conectados e ligar os produtos às redes pode instigar a curiosidade e o desejo de compra dos usuários. Além disso, muitas pessoas são influenciadas pelas postagens de amigos, conhecidos ou até mesmo desconhecidos, que incentivam o uso e a compra de determinado produto.

No trabalho

Muitas empresas, cientes da vida antenada que as pessoas têm, liberam o acesso às redes sociais, defendendo que é preciso um momento de descontração para continuar produzindo um bom trabalho. Mas o uso das redes sociais no ambiente corporativo ainda não é um consenso entre as organizações.

Sem dúvida, o bom senso deve prevalecer e o profissional deve ficar atento às regras estabelecidas pela empresa, tais como: horário de acesso, tempo de conexão e sites permitidos.

O fundamental é que o colaborador não deixe de executar suas atribuições diárias e gaste grande parte do dia navegando por perfis diversos.

“Netiqueta”

Além de provocar diferentes mudanças comportamentais, as redes sociais apresentam um desafio prático: a etiqueta online. De todos os espaços para a convivência humana, o mais polêmico é a internet.

Apesar de sua agilidade, a internet nem sempre é a maneira mais adequada de interação, pois não existe contato visual ou auditivo com o interlocutor, o que dificulta saber a reação da pessoa ou seu real sentimento. É muito comum identificarmos alguma frase como “grosseira” quando, na verdade, a pessoa nem teve a intenção de ser rude.

Para tanto, é necessário cultivar o respeito e o afeto nas relações pessoais. A máxima “gentileza gera gentileza” é válida para todas as esferas da vida cotidiana, inclusive para a internet. A seguir, algumas dicas para não deixar grosserias escaparem quando utilizar a internet e as redes sociais.

Evite atualizar status enquanto está à mesa com colegas, seja de trabalho ou não. Se precisar “se conectar” durante a refeição, peça licença. É grosseiro o fazer na frente da outra pessoa, de repente, sem avisá-la;
Crie um perfil para uso pessoal e um para profissional. Assim, você evita expor demais sua vida privada para colegas de trabalho e potencializa a visibilidade de seu perfil profissional apenas para grupos segmentados;
Mantenha seus contatos profissionais no LinkedIn. Se não for possível, crie grupos (com filtro de privacidade) em redes como Facebook;
Não poste infindáveis mensagens sobre um mesmo tema, especialmente no Twitter ou no Facebook. Há um espaço limitado para publicação justamente para evitar a prolixidade;
Sempre se pergunte se o que vai publicar é realmente relevante para seus seguidores ou amigos;
Não poste mensagens sobre seu trabalho, seu chefe ou a empresa em que atua;
Evite se distrair com os famosos “pop-ups”: atente-se ao que está fazendo na internet.
Revise sua mensagem antes de postá-la, para evitar erros gramaticais;
Mantenha a polidez e responda às pessoas usando o mesmo grau de formalidade de seu interlocutor (nunca mais informal);
Adapte seu discurso: o “internetês” é adotado em várias redes, porém, quanto menos gírias você utilizar, melhor;
Cheque se a outra pessoa não se incomoda de ser citada na mensagem/ marcada em uma foto, para evitar possível mal-entendido.

Dicas

Sem dúvida, as redes sociais são muito úteis, afinal, é possível se informar e entreter ao mesmo tempo. Porém, há uma tênue linha entre o entretenimento e o vício. Aqui vão algumas dicas para você não ficar “dependente” das redes sociais:

Prefira passeios ao ar livre para encontrar os colegas, amigos ou a pessoa amada;
Nunca confie cegamente nas informações que uma pessoa estranha fornece pela internet;
Exercite a habilidade de se relacionar efetivamente com as pessoas e não apenas de trocar informações;
Estabeleça um horário fixo e um período por dia para conectar-se e respeite-o.

Bons contatos!

 

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